
Não faças poesia, com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
.
* Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Não me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
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* A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
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*Não osciles entre o espelho e a memória
em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
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* Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
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Um comentário:
Drummond bem o dizia. A prática é que são elas.
Abraços.
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