segunda-feira, 20 de abril de 2009

Penso em ti devagar...


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Penso em ti devagar, bem devagar, com um bem-querer tão certo e limpo, tão fundo e bom que parece que estou te embalando dentro de mim.
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Ah, que vontade de escrever bobagens bem meigas, bobagens para todo mundo me achar ridículo e talvez alguém pensar que na verdade estou aproveitando uma crônica muito antiga num dia sem assunto, uma crônica de rapaz; e, entretanto, eu hoje não me sinto rapaz, apenas um menino, com o amor teimoso de um menino, o amor burro e comprido de um menino lírico.
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Olho-me ao espelho e percebo que estou esvelhecendo rápida e definitivamente; com esses cabelos brancos parece que não vou morrer, apenas minha imagem vai-se se apagando, vou ficando menos nítido, estou parecendo um desses clichês sempre feitos com fotografias antigas que os jornais publicam de um desaparecido que a família procura em vão.
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Sim, eu sou um desaparecido cuja esmaecida, inútil foto se publica num canto de página interior de jornal, eu sou o irreconhecível, irrecuperável desaparecido que não aparecerá mais nunca, mas só tu sabes que em alguma distante esquina de uma não lembrada cidade estará de pé um homem perplexo, pensando em ti, pensando teimosamente, docemente em ti, meu amor.
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* Rubem Braga
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2 comentários:

Jac. disse...

Rubem Braga não foi o primeiro,
mas um dos poucos que realmente 'conversaram' com a minha alma. Foi o que ficou marcado para sempre!
São emoções muito simples e belas
que ele descreve com as palavras!

E 'O Desaparecido' me emociona em
qualquer lugar que eu esteja!
Não importa em que "distante esquina" de não lembradas cidades..

Para sempre eu estarei atônita,
saudosa, lembrando de ti meu
caro Rubem!

E Ron, 'nosso' poetinha, sempre
obrigada pela lembrança de trazê-lo
aqui, nesse querido blog!

Grande abraço!

RASENA disse...

bem, eu sou mt ignorante em matéria de poesia, mas é bárbara.
acho que todos nós as vez temos vontade de dizer e escrever bobagens como ele diz...
adorei!
abrçs