sábado, 31 de outubro de 2009

Um dia na (hospitaleira) Vigia

Dia de Pescar Amigos & Poesia
> Clik sobre as fotos > Vc vai vê-las ampliadas

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Miguel Chikaoka

Foto: Nega Socorro A realidade urbana de Miguel Chikaoka é a prioridade de olhar a relação do homem com o mundo.
Chikaoka > é a estória do olho procurando comunicar aquilo que vê, à cidade que no bonde
do passado anda em busca do futuro que se exibe enquanto chove.
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Na explosão (de alegria) do Pavulagem... Os chapéus descansam. As cabeças e os corpos não cansam...
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Cidade Velha

Foto:Nega Socorro É como se a Cidade Velha, que um dia pariu Belém, a capturasse de volta...
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Carimbó

Fotos:Nega Socorro

Essa dança
que só termina
quando o amor começa
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Fique sabendo...


JURAR DE PÉS JUNTOS:-
Mãe, eu juro de pés juntos que não fui eu.A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado pra dizer nada além da verdade. Até hoje o termo é usado pra expressar a veracidade de algo que uma pessoa diz.

MOTORISTA BARBEIRO: - Nossa, que cara mais barbeiro!No século XIX, os barbeiros faziam não somente os serviços de corte de cabelo e barba, mas também, tiravam dentes, cortavam calos, etc, e por não serem profissionais, seus serviços mal feitos geravam marcas. A partir daí, desde o século XV, todo serviço mal feito era atribuído ao barbeiro, pela expressão "coisa de barbeiro". Esse termo veio de Portugal, contudo a associação de "motorista barbeiro", ou seja, um mau motorista, é tipicamente brasileira..

TIRAR O CAVALO DA CHUVA: - Pode ir tirando seu cavalinho da chuva porque não vou deixar você sair hoje!No século XIX, quando uma visita iria ser breve, ela deixava o cavalo ao relento em frente à casa do anfitrião e se fosse demorar, colocava o cavalo nos fundos da casa, em um lugar protegido da chuva e do sol. Contudo, o convidado só poderia pôr o animal protegido da chuva se o anfitrião percebesse que a visita estava boa e dissesse: "pode tirar o cavalo da chuva". Depois disso, a expressão passou a significar a desistência de alguma coisa.


À BEÇA: - O mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa. A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Bessa, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas.

DAR COM OS BURROS N'ÁGUA: A expressão surgiu no período do Brasil colonial, onde tropeiros que escoavam a produção de ouro, cacau e café, precisavam ir da região Sul à Sudeste sobre burros e mulas. O fato era que muitas vezes esses burros, devido à falta de estradas adequadas, passavam por caminhos muito difíceis e regiões alagadas, onde os burros morriam afogados. Daí em diante o termo passou a ser usado pra se referir a alguém que faz um grande esforço pra conseguir algum feito e não consegue ter sucesso naquilo.

GUARDAR A SETE CHAVES: No século XIII, os reis de Portugal adotavam um sistema de arquivamento de jóias e documentos importantes da corte através de um baú que possuía quatro fechaduras, sendo que cada chave era distribuída a um alto funcionário do reino.Portanto eram apenas quatro chaves. O número sete passou a ser utilizado devido ao valor místico atribuído a ele, desde a época das religiões primitivas. A partir daí começou-se a utilizar o termo "guardar a sete chaves" pra designar algo muito bem guardado.
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OK: A expressão inglesa "OK" (okay), que é mundialmente conhecida pra significar algo que está tudo bem, teve sua origem na Guerra da Secessão, no EUA. Durante a guerra, quando os soldados voltavam para as bases sem nenhuma morte entre a tropa, escreviam numa placa "0 killed" (nenhum morto), expressando sua grande satisfação, daí surgiu o termo "OK".

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS: Existe uma história não comprovada, de que após trair Jesus, Judas enforcou-se em uma árvore sem nada nos pés, já que havia posto o dinheiro que ganhou por entregar Jesus dentro de suas botas. Quando os soldados viram que Judas estava sem as botas, saíram em busca delas e do dinheiro da traição. Nunca ninguém ficou sabendo se acharam as botas de Judas. A partir daí surgiu à expressão, usada pra designar um lugar distante, desconhecido e inacessível.

PENSANDO NA MORTE DA BEZERRA: A história mais aceitável para explicar a origem do termo é proveniente das tradições hebraicas, onde os bezerros eram sacrificados para Deus como forma de redenção de pecados. Um filho do rei Absalão tinha grande apego a uma bezerra que foi sacrificada. Assim, após o animal morrer, ele ficou se lamentando e pensando na morte da bezerra. Após alguns meses o garoto morreu.

PARA INGLÊS VER: A expressão surgiu por volta de 1830, quando a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que impedissem o tráfico de escravos. No entanto, todos sabiam que essas leis não seriam cumpridas, assim, essas leis eram criadas apenas "pra inglês ver". Daí surgiu o termo.

RASGAR SEDA: A expressão que é utilizada quando alguém elogia grandemente outra pessoa, surgiu através da peça de teatro do teatrólogo Luís Carlos Martins Pena. Na peça, um vendedor de tecidos usa o pretexto de sua profissão pra cortejar uma moça e começa a elogiar exageradamente sua beleza, até que a moça percebe a intenção do rapaz e diz: "Não rasgue a seda, que se esfiapa".

O PIOR CEGO É O QUE NÃO QUER VER: Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D`Argent fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel. Foi um sucesso da medicina da época, menos pra Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imaginava era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos. O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou pra história como o cego que não quis ver.

ANDA À TOA: Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está à toa é o que não tem leme nem rumo, indo pra onde o navio que o reboca determinar.

QUEM NÃO TEM CÃO, CAÇA COM GATO: Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia quem não tem cão caça como gato, ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.

DA PÁ VIRADA: A origem do ditado é em relação ao instrumento, a pá. Quando a pá está virada pra baixo, voltada pro solo, está inútil, abandonada decorrentemente pelo Homem vagabundo, irresponsável, parasita.

NHENHENHÉM: Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os indìgenas não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer "nhen-nhen-nhen".

VAI TOMAR BANHO: Em "Casa Grande & Senzala", Gilberto Freyre analisa os hábitos de higiene dos índios versus os do colonizador português. Depois das Cruzadas, como corolário dos contatos comerciais, o europeu se contagiou de sífilis e de outras doenças transmissíveis e desenvolveu medo ao banho e horror à nudez, o que muito agradou à Igreja. Ora, o índio não conhecia a sífilis e se lavava da cabeça aos pés nos banhos de rio, além de usar folhas de árvore pra limpar os bebês e lavar no rio as redes nas quais dormiam. Ora, o cheiro exalado pelo corpo dos portugueses, abafado em roupas que não eram trocadas com freqüência e raramente lavadas, aliado à falta de banho, causava repugnância aos índios. Então os índios, quando estavam fartos de receber ordens dos portugueses, mandavam que fossem "tomar banho".

ELES QUE SÃO BRANCOS QUE SE ENTENDAM: Esta foi das primeiras punições impostas aos racistas, ainda no século XVIII. Um mulato, capitão de regimento, teve uma discussão com um de seus comandados e queixou-se a seu superior, um oficial português. O capitão reivindicava a punição do soldado que o desrespeitara. Como resposta, ouviu do português a seguinte frase: "Vocês que são pardos, que se entendam". O oficial ficou indignado e recorreu à instância superior, na pessoa de dom Luís de Vasconcelos (1742-1807), 12° vice-rei do Brasil. Ao tomar conhecimento dos fatos, dom Luís mandou prender o oficial português que estranhou a atitude do vice-rei. Mas, dom Luís se explicou: Nós somos brancos, cá nos entendemos.


A DAR COM O PAU: O substantivo "pau" figura em várias expressões brasileiras. Esta expressão teve origem nos navios negreiros. Os negros capturados preferiam morrer durante a travessia e, pra isso, deixavam de comer. Então, criou-se o "pau de comer" que era atravessado na boca dos escravos e os marinheiros jogavam sapa e angu pro estômago dos infelizes, a dar com o pau. O povo incorporou a expressão.

ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA, TANTO BATE ATÉ QUE FURA: Um de seus primeiros registros literário foi feito pelo escritor latino Ovídio (43 a.C.-18 d.C), autor de célebres livros como "A arte de amar "e "Metamorfoses", que foi exilado sem que soubesse o motivo. Escreveu o poeta: "A água mole cava a pedra dura". É tradição das culturas dos países em que a escrita não é muito difundida formar rimas nesse tipo de frase pra que sua memorização seja facilitada. Foi o que fizeram com o provérbio, portugueses e brasileiros.
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Orgulho e decepção

Texto de Elias Pinto (foto)

1 Era ali pelo início da década de 1990 e tinha ido à Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a minha primeira bienal paulistana – no ano anterior, eu estreara a do Rio. Viveria um dia inesquecível, avançando pela madrugada.
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2 Começou com um almoço. À mesa, eu, o crítico, poeta, tradutor e jornalista João Moura Jr. (na época, editava o ‘Folhetim’ da “Folha de S. Paulo”) e o crítico e professor Davi Arrigucci Jr., autor de importantes estudos (como “Humildade, Paixão e Morte: A Poesia de Manuel Bandeira”) e um dos principais intérpretes brasileiros da obra do escritor argentino Julio Cortázar.
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3 O chope correndo generoso antes e depois do almoço, lá pelas tantas propus, provocador: que cada um indicasse o maior escritor brasileiro do momento. Citou-se, se bem me lembro, Rubem Fonseca, João Gilberto Noll, João Ubaldo Ribeiro, não recordo se Ariano Suassuna, acho que Milton Hatoum foi citado, já no embalo do lançamento de seu primeiro romance, “Relato de um Certo Oriente”, e outros mais.
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4 Causei surpresa ao pronunciar o nome de Haroldo Maranhão como o meu escritor preferido entre os contemporâneos. Depois do espanto inicial e de atribuírem a escolha ao meu bairrismo, João Moura e Davi Arrigucci concordaram que Haroldo tinha, sim, uma obra respeitável, mas era pouco ou praticamente desconhecido entre os leitores do país, o que era verdade.
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5 Era e continua sendo. O escritor paraense morreu em 2004 e seus livros continuam a ser um item raro, tanto em vida quanto na morte do autor. Haroldo sofreu, às vezes, com edições descuidadas ou mal distribuídas, ou as duas coisas ao mesmo tempo.
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6 Grandes romances como “Cabelos no Coração”, “O Tetraneto del-Rei”, “Rio de Raivas” e “Os Anões” permanecem fora de catálogo há muito tempo. Ou livros de contos, como “As Peles Frias”. Ou livros de crônicas, como o maravilhoso “Flauta de Bambu”. E muitos deles receberam premiações importantes. Por exemplo, “O Tetraneto del-Rei” mereceu o “Prêmio Guimarães Rosa”, na única vez, se não me falha a falha memória, que tal distinção foi conferida a um escritor. “As Peles Frias recebeu o “Prêmio José Lins do Rego”. “A Morte de Haroldo Maranhão”, o “Prêmio União Brasileira de Escritores”.
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7 A Editora Planeta ensaiou a reedição (e fui chamado, à época, para intermediar o contato) de alguns de seus títulos, mas ficou em duas publicações, entre as quais o notável “Memorial do Fim: A Morte de Machado de Assis”. A amiga Vera Castro, na sua coluna de domingo, lembrou que a prefeitura, na gestão de Edmilson Rodrigues, formou uma comissão, de que fui um dos participantes, com a incumbência de dar início à publicação dos títulos de Haroldo, mas que ficou só mesmo no primeiro: “Pará, Capital: Belém”, uma preciosa antologia de textos sobre Belém organizada pelo autor de “Cabelos no Coração”.
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8 Por isso, não podemos nem nos queixar de que a crítica nacional não dedique a Haroldo a atenção que ele merece, pois somos incapazes de dar essa atenção ao nosso escritor maior – e considero Haroldo Maranhão, sem querer inaugurar rivalidades estéreis, um escritor mais interessante que Dalcídio Jurandir. O ideal seria também reeditar Dalcídio, passo que já se está dando, através da UFPA e da Uepa.
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9 Da atual prefeitura, obviamente, não se espera nada, e é melhor até que seja assim, dado o dom de Duciomar Costa de tornar insalubre tudo o que toca. Mas o governo do Estado, através de sua Secretaria de Cultura, podia se empenhar (propondo coedições com editoras nacionais, com empresas privadas e instituições públicas federais) no projeto de reeditar alguns títulos de Haroldo, talvez iniciando pelos inéditos que o escritor deixou, também citados por Vera Castro no domingo passado. E depois, uma bem-vinda reedição de “Rio de Raivas”, de “Cabelos no Coração”, em publicações bem cuidadas, com estudos de grandes críticos enriquecendo a edição.
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10 O DIÁRIO lançou, no domingo, uma campanha de resgate do orgulho de ser do Pará. Muito bem: devemos ter orgulho de um escritor da importância de Haroldo Maranhão. E, por isso, é uma decepção e um escândalo que sua obra mereça tão pouca atenção de nossa parte, e com isso os leitores fiquem privados da arte literária de um grande paraense, da melhor que já se produziu entre nós.
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domingo, 25 de outubro de 2009

Do Raul (jornalista) ao Thadeu (poeta) e vice-versa.

Raul Thadeu

Quando o sol se puser
no céu da boca
e o sonho doente não voltar,
quando as velhas masmorras
cuspirem seus galés,
quando a noite conspirar com o
sono e se fizerem crepúsculo
todos os sonhos
então virei
sacudinho chocalhos
os ventos desencadeados
as mãos cheias de espigas novas
semear na paisagem que olho
algum devassou
E estarei contigo
e serei só
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> Estamos sós.
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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Show de Olyvia Magno em Marajó In Badalação dia 24/10 as 20h no Teatro Gasômetro (Parque da Residência), participação Fênix Companhia Teatral, Mestre Luizão, Handerson de Deus e Grupo de Cultura IAÇÁ.

Espera

teu rosto em lenta espera
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(ouves a minha voz
antes de mim
no teu corpo
palavreando)
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(RF)
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A última janela


Quanto mais vivo o olho
Mais reveladora
a última janela
se abre
dia sim dia não
para debruçar
a presença
do desgaste
do exílio
de um rosto
se fechando
.
(RF)
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Para ver a banda passar

Hoje: vivemos uma curiosa sensação de que o ser humano não passa de um simples manequim...(Ou > não?)
E expressões como: ver, sentir, ponto de vista, visão do mundo etc, mostram-se, às claras, como prisioneiras e dependentes das opiniões televisas.
A vida se tornou uma arquibancada submissa para ver a banda passar...
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Aerótica ginástica de Mirella

Diz-se da ginástica cujos movimentos ativam a mente de quem olha.
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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

DuDu : Bicho do Mato Rasteiro

Foto: Duciomar Costa > Prefeito de Belém
1 Como é possível que um personagem como Duciomar Costa chegue a prefeito de Belém? Chegue e ainda se reeleja? Sem resposta a essas perguntas, ou pior, conhecendo as respostas possíveis a esse tormento, muita gente anda desgostosa com sua condição de cidadão belenense. Há quem pense até em levantar acampamento, mudar-se para outras paragens menos poluídas politicamente.
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2 Não vou enveredar por aquele caminho fácil de dizer que o povo não sabe votar. Já escrevi sobre isso uma pá de vezes aqui na coluna. O eleitor de Belém não elegeu Edmilson Rodrigues, que pregava a mudança, a renovação, o reencontro com a cidadania – se é que já tivemos esse encontro no passado? O eleitor brasileiro não conduziu ao poder Fernando Henrique Cardoso e Lula, cada um, a seu modo, expressões do que podíamos alcançar em termos de compromisso e dignidade políticos pós-ditadura? Pois os três, para mim, deixaram um legado lastimável, já incluindo Lula nesse balanço. Pode ser que você não compartilhe da minha opinião, mas é a isso, desconfio, que chamam democracia.
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3 O mesmo processo democrático que abriu as portas da prefeitura para Duciomar e, antes, deu-lhe uma cadeira de vereador, deputado estadual e senador.
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4 Sabe-se, claro, que a qualidade educacional contribui para um voto mais consciente, e sabe-se, por sua vez, das deficiências do país nessa área, a par da fragilidade social e econômica de boa parte do eleitorado, aspectos que se somam para dar passagem a messianismos políticos, a aventureiros e populistas de palanque, a estadistas de araque.
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5 Duciomar, no entanto, foi içado de sua mediocridade parlamentar pelo oportunismo dos que se julgavam portadores da chama olímpica da verdade e da honestidade, habitantes de uma torre de marfim política, ou melhor, de uma cobertura edênica a que apenas os eleitos tinham acesso para ouvir, de viva voz, os éditos divinos, para de lá descer e pregar as tábuas da lei do tucanato. Se Duciomar não tivesse sido convocado a essas alturas de ar rarefeito (talvez pelas circunvoluções nicotinadas do ambiente), bem provável que ainda estivesse à frente da sua frota doidivana e mambembe de ônibus desbussolados – daí, certamente, a ânsia que o faz querer ser uma espécie de padroeiro dos empresários do ramo, que, em vez de São Cristovão, condutor dos motoristas, deitam oferendas ao assaz aureolado e querubínico Duciomar, Dudu, breve no tamanho, imenso na generosidade em abrir mão do erário em favor dos que já não têm mãos suficientes para abarcar o que, tintilante, lhes abunda, fruto do calvário que é o transporte público de Belém.
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6 À imagem e semelhança do chefe, a Câmara converteu-se numa terra desolada, retrato da cidade desvalida entregue a mandíbulas que mordem o que podem. O exército duduca, no que vota, devota-se ao sonante ideal que lhes açula o apetite, ou os instintos mais primitivos, como diria aquele outro exemplo jeffersoniano de lubricidade política. Nenhuma novidade no front, a não ser a desfaçatez que se concede cevados brindes de bastidores, em cevadas efusões marginais ao plenário.
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7 A vitoriosa carreira política de Duciomar Costa gerou-se, paradoxalmente, de sua costela invertebrada, de sua constituição gelatinosa, de seu espinhaço dúctil, que se deixa moldar às circunstâncias que lhe prefiguram, pragmaticamente, o modelo que convém à vitrine da vez. É um campeão de votos que não faz sombra – ao contrário, ganha corpo à sombra, e por isso se move serpenteando, à vontade ao rés do chão, animal político de sangue frio. Um bicho do mato, do mato rasteiro, que não emana luz, antes a absorve, conspirador dos escaninhos, destilador do sombrio que é seu habitat.
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8 A uma Belém solar, que explode em luz e calor, nada pior do que ter um administrador que move sua pele fria, camaleonicamente, ao abrigo da luminosidade, do sol, que, por sua ação detergente, lhe devassaria o soturno que é a vestimenta de sua personalidade. Como os que vivem nas profundezas, porém, ele precisa vir à superfície para renovar o ar. Esta superfície é o palanque. Até quando o ar, o voto, lhe será renovado?
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( Texto do jornalista Elias Pinto - do Diário do Pará)
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Quem vai
Leva uns 500 dias
De quem fica
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E não saberão muito de nós
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Do querer saber cada vez mais de nós
(como se trabalhássemos um poema)
E assim cada vez menos
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O fim já durava demais...
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(RF)
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sábado, 17 de outubro de 2009

Só para as mulheres (maiores de amores)

O homem e a mulher
- o casal que proíbe para permitir -
Como uma melancólica
metáfora de Adão e Eva
Que prisão tem a tua paixão
que quando dá folga
continuas dentro dela?
Ela abre suas asas
com autonomia de voo
sobre os meus pensamentos
Extermina tudo que é tristeza
Destrói velhas recordações
Determina o fim
de minha Perestroika noturna
Em teus
pés:
uma vogal acentuada em desejo
e duas consoantes
oscilam
entre o possível sim
e a melancolia do não
As costelas exatas para um Adão da Silva
Sem parreira!
Seu braço acomoda o perdão
assim
como as ruínas
da minha
existência
Esse seu olhar ausente...
Não para decifrar o adeus
ou para esvaziar sentimentos
Talvez a contenção
do que foi bom...
Que ela possa ser
tão presente e feliz
nos espaços
da paisagem da saudade
Sempre!
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RonaldoFranco > Do livro "Eu te amo" ( a ser lançado em março de 2010)
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Os Vampiros de Sábado



É impossível domiciliar as possibilidades do sábado. Fechados a gente fica a sem a gente. Não somos prisioneiros da compulsão de sobreviver. Não enlatamos desejos.


Lá fora, fugimos das rotinas impostas.
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Visitem a noite e no outro dia, tornar-se-á claro como funciona o dia sombreado, pesado, traído, mentiroso, cínico, aberrante, sem esperança.
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A lua lá em cima não ilumina os moralismos abstratos e as palavras estéreis. A noite não engole o tédio existencial.Vomita!
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Na noite não se inventa líder. Porque boêmios não são rebanhos inertes. Notívagos não pastoreiam o poder. São pastores das estrelas. Das estrelas criativas. Que não compram a criatividade alheia.
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Estrelas não choram. Brilham. Não discursam. Trabalham. São operárias do céu brasileiro.
Quando tornam suas existências mecânicas,


e x p l o d e m!
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Na didática noturna a alegria se diverte para nos salvar (da escalada das exclusões sociais), para nos entender ( no inferno das indiferenças), e nos descobrir numa vida verdadeiramente humana.
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É preciso deixar a raiva engarrafada.
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O sábado no bar é uma só loucura: abraçam-se esquerda e direita com o capitalismo sensual.
Militantes são inocentes. E ninguém é carrasco de ninguém.
Tudo é festa numa sensação ululante de que estamos sujeitos aos olhares invejosos dos
vampiros que roubam as estrelas dos outros.
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Boníssimo final de semana, amigos leitores.
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sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Minientrevista com Fernando Velasco ( ex-deputado federal)




Fernando Velasco, o político fiel
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Blog do Poeta: A lealdade é uma palavra impronunciável no mundo político?
Fernando Velasco: - Para os desprovidos de caráter, sim.
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BP: Quem em comícios, pertinho de ouvidos, morde a mão que o ajudou?
FV: Muitos do que se acham (que diga o Jader). A história, certamente, deles se ocupará, como já se ocupou de outros. Afinal de contas não faz diferença morder a mão ou beijar a face.
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BP: Quem abana o rabo para o poder?
FV: Só abana? Alguns vão até mais além.
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BP: Fazer política é namorar homem (Rubem Braga)...O Braga tem razão?
FV: No sentido lato, sim. Agora no sentido estrito alguns nem precisam fazer política.
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BP: Nossa política se mistura com tudo?
FV: Não deveria, mas hoje, infelizmente, o despudor, a desfaçatez, a indignidade e outros péssimos ingredientes se misturam na composição desse indigesto bolo político criado principalmente nas cozinhas do poder.
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BP: Traição é o melhor cardápio na cozinha dos políticos?
FV: Depende dos comensais.
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BP: Belém está de microssaia?
FV: Graças à insensibilidade e ao desvario de alguns, está mesmo nua.
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BP: No peito dos políticos bate somente votos?
FV: Não. Como nos desafinados, também bate um coração.
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BP: Na nossa floresta de telhados, quem é mito, lenda, fábula, rei da selva?
FV: Mito: eternamente Eneida e Bruno de Menezes, o cavaleiro de todas as madrugadas.
Lenda: o velho babalorixá Miguel Silva, amigo íntimo de Magalhães Barata -o único que ousava tratá-lo de Mimi - e suas belas festas na antiga Estrada do Utinga, em homenagem a Iansã (Santa Bárbara), todo dia 4 de dezembro.
Fábula: meu padrinho Adriano Guimarães. Médico tão competente que dele meu pai dizia que bastava guardar a receita no bolso pra ficar bom.
Rei da Selva: o velho CEPC. O nome diz tudo.
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BP: Quando se passa a viver uma ponte aérea passado- saudade?
FV: Ao se percorrer um álbum com velhas fotografias de pessoas queridas que hoje se chamam saudade.
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BP: A vida seria melhor se não fosse diária (Millor), você concorda?
FV: Discordo. Se melhor estraga.
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BP: Qual a sua antologia da amizade?
FV: De A a Z aqueles que diziam e provaram ser meus amigos.
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BP: Dos tempos da brilhantina até o pentear o cabelo com o ventilador, as cabeças caboclas mudaram?
FV : Mudaram e pra melhor. Meu pai dizia que nos faltava um pouco de bairrismo para defendermos o que era nosso. Hoje, não diria mais, porque o paraensismo tomou conta de nossas cabeças.
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BP: Em que lugar da cidade seria a nossa calçada fama?
FV: Na Condor velha de guerra, bem na frente ao Palácio dos Bares, reduto inesquecível da nossa boemia.
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Os tambores de Sexta



miniartigo
Cenário subsaariano
josémariaLealpaes

Ao fundo a prostituída astronomia salarial de senadores e deputados, o Mestre brasileiro comemorou, ontem, seu dia no patamar do desencanto, do desânimo e da miséria.
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Enquanto professor de universidade federal, com doutorado, não ganha R$ 7 mil, juízes federais substitutos e juízes estaduais embolsam, números redondos, R$ 23 mil; porteiros do Senado, R$ 13 mil. .
Primeiros e segundos, certamente, adubam o (vil) presente do poder.
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Não são, porém, construtores do futuro.

Tradução: o Brasil caminha para o Saara, dizem todos os testes de aptidão internacional aplicados no alunado pátrio.

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Pedrinho Cavalléro: 30 anos musicais


O afeto O afeto não existe sem a ternura e o cuidado.É a verdadeira amizade que impede o
afeto de ser artificial, falso ou dúbio.
(Jamais há carícia na violência de arrombar portas e janelas, quer dizer, na invasão da intimidade da pessoa.)
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Moleques? Ou a juventude desumanizada? A nossa juventude (tão desumanizada) a expor em público a sua própria decadência.São exemplos caricatuais da educação subdesenvolvida.
A violência aborta aqui e ali : meninos se desmanchando, apodrecendo no lixo que expeliram de suas vidas.
A foto (capa do jornal Diário do Pará) mostra animais ferozes que se ferem numa síntese da ignorância sob a qual nem é possível distinguir o ser humano.
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(RF)
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Poéticas paisagens de Ronaldo Franco

Sobre o meu livro > "Cidade Velha" < Marisa Mokarzel (foto) > escreve:
"Como uma narrativa entrecortada por ágeis cenas que se sobrepõem em uma memória de livres cronografias, Ronaldo Franco dispõe o seu olhar sobre a Cidade Velha, percorrendo-a em íntimos inventários.
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São detalhes, histórias acontecidas, imaginadas, pinçadas de igrejas e casarões, transcorridas nas ruas estreitas, sob a luz de lamparinas.
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"Quais gavetas entulhavam ausências e traições de alfazema?" Qual mantilha oculta os mistérios do verbo? Leitora, espectadora, cerco-me de flores azuis, me deixo perfumar pelas poéticas imagens molhadas de chuva, tecidas pela alma delicada do poeta. De lua em lua redescubro Belém.
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Mais familiarizada com as artes visuais encanto-me com as palavras imagens, procuro os líquidos que "secaram na sede dos anos". Bebo das fontes inimagináveis que o poeta dispõe na paisagem suspensa na memória. Folheio os álbuns de madrepérola e adivinho os personagens desfocados sob a poeira do papel.
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Indumentárias antigas se ressentem do ritmo da vestes mais recentes, mas no descompasso dos anos, se permitem diferentes histórias, intensamente vividas, reescritas na cartografia do tempo.
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Assim o mágico da palavra me permite que imagens roubadas se sobreponham e me remetam a outras ficções. Quase acredito que nesse cenário poético Ismael Nery ressurge em uma esquina qualquer e desfaz o mal-entendido de muito tempo atrás. Talvez ao lado de irmã Verônica ou de Adalgisa, tenha entrado na primeira igreja e percebido que "os Cristos mortos eram escoltados por tristeza mortal" : sua própria tristeza, a de quem sua arte não se fez entender.
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No silêncio das velas, o pintor depositou sua certidão de nascimento, lavrada nos idos de outubro de 1900.
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São tantas as cidades que a Cidade Velha abriga, são tantos os rumores, os amores que as tramas se refazem a cada desassossego, compondo o som das catedrais. Prédios e sentimentos, redesenhados em finas linhas, deixam-se cravar nas ceras esquecidas por orações.
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Do artista vêm as elegias, os espinhos tirados da dor.
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Em qual sobrado Acácio se esconde?
De onde seus olhos retiram poemas?
De qual louça portuguesa conta a sua história?
Ele que ali não mora, mas lá está, na cidade imaginada pelo poeta, na palavras tecidas nos becos, expandidas pelos portos que invadem os rios.
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"Quanto novelos de linha para costurar mentiras?"
Quantas verdades ambíguas, alegres ou sombrias, desvelam-se em irônicas cerziduras.
Ronaldo Franco é o testemunho ocular de um passado presente que se refaz a cada momento.
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Como poeta vê além do que está escrito. E como encantador de palavras permite que o imaginado, dele revelado, o outro se aproprie. E, mais uma vez imagino a topografia, os relevos, as nuanças dos paralelepípedos, as marcas dos pés que se tornam invisíveis pelos novos passos que sobre eles repousam.
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As andanças pelas ruas de histórias ainda não terminaram, uma pergunta ronda portas e janelas, escapa pelas passagens estreitas.
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Entre os moradores, um eco atravessa as casas e pode-se ouvir: "quantas inquietudes sob lâmpadas fracas?" "Quantos olhares ali escolheram repor suas lembranças, dispor suas vidas.
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Sol e lua iluminam os que ali elegeram viver. Rua de Mariano, Chikaoka, Walda Marques, Paula Sampaio. Coincidências ou escolhas? Somente a paisagem selecionada, impressa em luz.
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Há muito percursos de espelhos guardados em caixa preta, traduzidos em paixão pela Cidade Velha, pelas cidades da Cidade Velha.
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Fixo meu olhar no vazio do azulejo que ali não mais está.
Penso comigo mesma: "Ó tempo veloz: a vida no cerol se cortando", deixando rastros de luz. Mais uma vez pela voz do poeta a cidade se permite redesenhar a cada palavra.
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Como "uma incessante lua" renova-se a todo instante.
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Ronaldo Franco tal qual um maestro rege a música inaudível proveniente das minúcias de uma Cidade velha imaginada, que muito mais que um patrimônio histórico, se fez poesia.
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* Marisa Mokarzel
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terça-feira, 13 de outubro de 2009


Homenagem ao Poeta Antônio Juraci Siqueira


Relaxe


Espere até chegar sua vez. Quanto ao desejo .. nem sempre é uma questão de vez.
De todo modo, relaxe. Feriadão vencido, vai começar tudo de novo. A fé não remove a montanha do trabalho.
Porém, no meu caso, de vez em vez, acredito que sim. Ao ócio! Enfim, a semana encurtou. Já é alguma coisa.

josémariaLealpaes