terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

O memorialista


Eis o José Queiroz Carneiro, ou o Zé Carneiro.Carneiro para a maioria dos que com ele convive.Jornalista por vocação, professor por profissão.
Memorialista apaixonado: produz textos, artigos, livros e biografias.Está ultimando uma, que já tarda, sobre o Abílio Couceiro. E promete, ainda para este ano, as memórias dos cinemas do interior do Pará.
A História da Folha do Norte e uma releitura da epopéia da Estrada de Ferro de Bragança são trabalhos do Zé.(Que logo logo leremos.)

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RF: Do jornalista e do professor, quem predominou e ficou ?
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Zé: Acho que os dois se mantiveram no mesmo nível. Ambos me obrigaram a aprofundar a pesquisa, a investigação, o conhecimento.Ambos me construíram e devo-lhes tudo o que penso hoje.Considero-me, tanto jornalista quanto professor.
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RF: Qual a sua antologia do jornalismo paraense ?
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Zé: Paulo Maranhão antes e Lúcio Flávio Pinto hoje seriam as bases essenciais de sustentação de qualquer antologia paraense de jornalismo. Quer mais um nome ?
- Mário Faustino.
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RF: O que herdamos dos caboclos cabanos ?
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Zé: A bela história de luta, o que não é pouco. Mas a alma cabana ficou lá para as calendas amazônicas...
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RF: Qual o enderêço miserável de Belém ?
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Zé: Todos os locais onde vislumbramos os menores abandonados. Como diria o Vinicius de Moraes: - "E são crianças, Meu Deus !". Em segundo lugar, os locais onde perambulam os maiores abandonados.
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RF: O que se fareja no Ver-o-Peso ?
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Zé: As imundícies ...no cartão postal da cidade.Pra variar, o lixo da cidade, tanto na coleta quanto no despejo doméstico.
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RF: Qual capítulo de nossa história daria um romance ?
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Zé: Muitos já deram - cabanos, imprensa, líder político, a desfiguração urbana - mas a colonização via estrada de Ferro Bragança bem que merece um .
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RF: Que cena política daria um bom filme ?
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Zé: As "reconciliações" entre adversários históricos poderiam render boas comédias ou bons dramalhões. Os casos são evidentes, recorrentes e frequentes no Pará.
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RF: O que (nessa terrinha) lhe torna entusiasmado ?
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Zé: A produção artística:- música, teatro, cinema, literatura, poesia, tudo com a cor local me entusiasma...sobretudo quando se trata de cinema, -minha paixão mais antiga.
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(José Carneiro é colaborador do Jornal O Liberal)

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2 comentários:

Attico disse...

Excelente entrevista com o meu memorialista paraense preferido. Tenho o privilégio de lê-lo quase no outro extremo do Brasil. Ele, nas sou crônicas e nos seus livros fez me conhecer Castanhal, Abaetetuba, a história dos cinemas e dos ramais ferroviários e das estações de trem do Pará. Também aprendi com ele acerca das anedotas políticas belenenses. Ah! e belezas das histórias familiares que ele conta quando nos abre seu baú de memorista!
Aqui de Porto Alegre seguem parabéns pelo blogue e pela beleza de entrevista com o professor e cientista político José Carneiro, que eu tenho privilégio de chamar também de ‘meu amigo’.
attico chassot
*************www.atticochassot.com.br

Luciana disse...

Sensacional, como sempre.
Adoro ler José Carneiro... mesmo nas mais informais das entrevistas.
Parabéns ao entrevistador pela feliz escolha.