terça-feira, 22 de abril de 2008

Elegia para Isa - josémariaLealpaes



sinto que vives, Isabela!

se, em verdade, em verdade,
estivesses morta, esse mar de dor,
perplexidade, silêncio, medo e revolta,
tristeza e ternura,
permaneceria oculto, contido em nossa
covardia supostamente civilizada,
submisso, conivente com a miséria
ou outro nome que se
dê à maldade sem limite do animal
chamado homem sábio.
eu sei, também sabes,
ser a vida concessão da morte. porém
deveriamos saber todos que Isabelas,
de todos os tempos, até do amanhã,
de todos os vôos e cruéis aterrissagens,
ensinam quão singela e docemente bela seria Isa
- ou outro nome que se dê à vida -,
não fosse o animal chamado homem sábio.

sinto que vives, Isabela!

Um comentário:

Adina Bezerra disse...

Que esta elegia de José Maria para Isabela seja uma das bandeiras levantadas contra toda esta atitude animal do "sábio homem"