sábado, 19 de setembro de 2009

A Miniatura de Adulto

(A infância era breve. As crianças brincavam de crescer.)

Era um inferno ser criança...
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Criança não podia dar aparte em conversa de gente grande, era obrigada a ouvir em silêncio..."Criança não fala na mesa", isso era repetido sempre.
No passado a criança brasileira "passava a vida pior do que cachorro de guarda", escreveu Paulo Duarte em seu livro Memórias.
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De fato, ser criança era coisa muito vergonhosa. Não até os seis ou sete anos, quando eram idealizadas como "anjinhos", mas depois disso, quando delas só se esperava que virassem adultos.
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O menino da elite era como um "homenzinho do mundo", que raramente sorria, vestido de sobrecasaca e pavoneando sua notabilidade. (descreveu o missionário norte-americano James Fletcher)
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Era como um velho novo homem, antes de chegar aos doze anos de idade, tendo seu rijo chapéu de seda preta, colarinho ereto; e na cidade andava como se todos o estivessem olhando...
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No colégio, além dos exercícios ordinários de educação, ele aprendia a ter boa caligrafia.
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Quanto à menina, o maior elogio que recebia era o de ser uma "verdadeira mocinha". Suas saias, que até os dez anos davam pelo meio das canelas, passavam progressivamente a se compridar.
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Mantendo mais contato íntimo com as amas e governantas do que com os pais, as crianças dirigiam-se a estes como "Vossa Mercê", "Senhor Pai" e "Senhora Mãe, pedindo-lhes a bênção com a cabeça reclinada e as mãos entrelaçadas. Eram adultos em miniatura.
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Um comentário:

Ignoto Jardim disse...

Ola, gostei do seu blog.Concordo com vc, as crianças das fotos de anigamente eram tristes e sisudas, aliás eram tratados com muita rigidez, daí os pais da nova geração partiram para a permissividade,e os da geração novíssia partiram para o extremo oposto, entao era oito hj é oitenta, não ha mais limite algum e as crianças são pequenos tiranos que decidem até a cor do carro.
Gostaria que v vistiasse meu blog, pode ser?
abração