domingo, 21 de dezembro de 2008

Sobre Carlos Drummond...

Quando li "No meio do caminho", tive uma sensação de alívio.
Aquilo me deu um grande alívio sim, porque eu achava que a poesia era aquela bobagem que os professores do colégio diziam.
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Eu li o poema em 1954, devia ter uns treze para quatorze anos. Disse: "Mas não é possível! A poesia é simples.
É um poema tão importante que veio dar no "Águas de Março". Sem dúvida, Jobim, inconscientemente, é influenciado por Drummond, porque é pau/ é pedra/é o fim do caminho" é exatamente "tinha uma pedra no meio do caminho".
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Jobim é genial quando chega a essa simplicidade de fundador da primitividade do objeto despojado de qualquer significação atribuída.
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Dizer que Drummond é o melhor poeta brasileiro é uma babaquice, porque não existe o melhor poeta brasileiro.
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É um raciocínio de Bolsa de Valores, burguês, competitivo: um raciocínio de corrida de cavalo!
Quem é que chegou em primeiro? É um raciocínio de escritório de contabilidade, uma coisa burguesa esse negócio de "os dez melhores", hit parade.
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Drummond é, apenas, um grande poeta, como existem outros grandes poetas brasileiros. Jorge de Lima era um grande poeta. João Cabral é um grande poeta. Ferreira Gullar é uma grande poeta, como Murilo Mendes, Gregório de Mattos e outros.

Arnaldo Jabor.
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2 comentários:

rke disse...

Salve Ronaldo! Meu poeta camarada. Saudades do seu riso. Grande beijo. Roberta Carvalho

Neilce disse...

Bastante interessante o texto; é mto comum a valorização da poesia ou do poeta de acordo com o que se construiu sobre ela/ele a partir do cânone, sem dúvida há grandes poetas, mas é necessário que as pessoas procurem tbm ler poetas que estão à margem do cânone, e que seja repensada esta hierarquia crítica.