segunda-feira, 13 de outubro de 2008

O Pará não morreu

.

Haroldo Maranhão: Eles têm mais é que ler. Ler pelo menos mil livros antes de pensarem no próprio livro. Só leu até agora 867? Faltam ainda 133, esse menino! Não tive quem me desencorajasse. Lutei sozinho contra a vaidade literária, que é muito maior que a vaidade feminina. Mesmo assim, mesmo depois dos 40, A Estranha Xícara foi uma ejaculação precoce. Melhor que estrear moço é estrear maduro, e melhor que estrear maduro é não estrear. Faltou quem me advertisse: oooooolha! Eu escreveria, claro, se fosse esse o meu fado lisboeta, porém para um leitor só, isto é, eu.

.

Pará não morreu. Viva Haroldo Maranhão!

Elias Ribeiro Pinto

Pesquisadores, amigos ou curiosos em conhecer a obra e o autor volta e meia me procuram perguntando sobre como localizar a longa entrevista que fiz com o escritor paraense Haroldo Maranhão, publicada em setembro de 1990 no jornal A Província do Pará.

Acho que o interesse e a curiosidade justificam-se. Considero o texto em questão o melhor depoimento impresso jamais concedido pelo escritor, por mérito exclusivo do próprio entrevistado, que se mostrou disposto a falar.


Esta foi a primeira entrevista que fiz com Haroldo, motivada pelo lançamento, em Belém, do romance Cabelos no Coração. Inaugurou uma série de entrevistas que eu faria, depois, com o amigo – pois que a amizade consolidou-se, apesar dos esporádicos encontros pessoais, no Rio de Janeiro, onde ele morava, ou quando voltava a Belém, visitante breve.

Na época, a entrevista mexeu com a pasmaceira paroara – sobrou até para o entrevistador, aqui e ali aquinhoado com algumas cipoadas que acomodam o ego.

Mas em vez do frio acabrunhamento dos ofendidos e ressentidos, me deixaram bem-humorado e me ensinaram muito acerca (e do acercar-se) de Haroldo, compreendendo-lhe homem e obra, acaraense em espírito.

A propósito, o título original da entrevista era “O Pará não morreu. Viva o Acará!”. Quanto a um ou a outro título, citando o que diz Haroldo a seguir, quem quiser ou puder entender, entenda.

Elias Ribeiro Pinto – Em seu livro Senhoras & Senhores, o narrador (autor de um diário) afirma escrever “feito um possesso: como se me faltassem horas de vida e precisasse escrever um romance de 300 páginas”. E você, Haroldo, escreve como um possesso ou “numa calma tessitura de palavras, costura lentíssima”, em busca da palavra mot juste? Fale sobre seu método de trabalho. Mantém cadernos, diário, faz pesquisas?


Haroldo Maranhão – Não faço em duas horas o que posso fazer em dez minutos. Persigo um ritmo cada vez mais veloz – velocíssimo – vertiginoso – vertiginosíssimo. Não teria escrito o que escrevi e como escrevi se usasse lápis ou bic. Intuitivamente fui aprimorando as ferramentas de reproduzir o pensamento: lápis, máquina de escrever mecânica, máquina de escrever elétrica, máquina de escrever eletrônica, o microcomputador. O lápis remonta à minha pré-história, o próprio bonde puxado a burro. A dolorosa adoção da máquina de escrever (mecânica) foi para mim um salto olímpico: a sempre lembrada Torpedo, alemã fogosa, que quem olhasse não dizia, montado na qual escrevi o Tetraneto, o que me estropiou a mão, lá se foi um dedo para o purgatório, antecipando-se ao restante, que persiste. A idem elétrica fazia muito barulho incomodando os vizinhos. A idem idem eletrônica: o céu vizinho ao sétimo. E o microcomputador, enfim. Enfim o micro! Espero impaciente o que virá depois. É verdade, meu caro. Escrevo como um possesso. Levei muitos anos fugindo dessa doença incurável. Não forcei caminho. Deixei todo mundo passar na frente. Me escondi atrás das portas. Sempre soube que escrever não é o alegre piquenique que alguns imaginam: escrever quando chega a “inspiração”! Não existe absolutamente inspiração. É a velha desculpa dos preguiçosos e equivocados. Os equivocados deviam sair para outra, advogar, imitar a Xuxa, clinicar, aprender lambada, ser artista de novela da Globo, construir pontes sobre o Rio Kwai, e esquecer a literatura. Há uma avalanche de equivocados. Entre dez mil poetas, 9.999 são equivocados. Os equivocados sofrem de coceira do tipo já começa para publicar livro. Posso falar com tranqüilidade. Passei dos vinte anos sem cair na tentação que aliás nem houve. Passei dos trinta. Passei dos quarenta, mas aí escorreguei. Olha: ser inédito é que é sublime.

ERP – Você acha que está desencorajando os jovens, os que começam?

HM – Precisamente essa é a minha intenção. Desencorajar. Jogar água no guaraná desses meninos. Eles têm mais é que ler. Ler pelo menos mil livros antes de pensarem no próprio livro. Só leu até agora 867? Faltam ainda 133, esse menino! Não tive quem me desencorajasse. Lutei sozinho contra a vaidade literária, que é muito maior que a vaidade feminina. Mesmo assim, mesmo depois dos 40, A Estranha Xícara foi uma ejaculação precoce. Melhor que estrear moço é estrear maduro, e melhor que estrear maduro é não estrear. Faltou quem me advertisse: oooooolha! Eu escreveria, claro, se fosse esse o meu fado lisboeta, porém para um leitor só, isto é, eu. Tudo bem. Grandes poetas estrearam antes do tempo. Veja o caso da bela adolescente Cecília Meireles. Não resistiu às promessas furadas do demônio. E produziu um livro, Espectros. E ao invés de guardar bem guardadinho o caderno com as poesias manuscritas, para leitura em família no dia do aniversário da vovó, editou-o. Você pensa que só nós fazemos besteira? Ela, a bela, na maturidade arrependeu-se. E saiu à luta. Sabe-se que saiu à luta porque deixou rastros nos sebos e nas bibliotecas públicas. Acabou recuperando a edição, eu acho, exemplar por exemplar. As bibliotecas públicas que visitei tiveram, não têm mais. Há duas semanas, almocei em São Paulo com o bibliófilo José Mindlin, em sua casa-biblioteca, e perguntei-lhe se possuía o Espectros. Não sem desconsolo ele me disse que não. E olha que ele tem duas primeiras edições de Os Lusíadas. Duas.

ERP – Chegaste a ver um exemplar?

HM – Tive o meu exemplarzinho. Perfeitíssimo. Com a capa da brochura. Comprei-o onde? No meu, no teu, no nosso Dudu. Eu devia andar pelos 16, 17 anos. Lamento informar ao velho livreiro e meu amigo que teve nas mãos uma incrível raridade, que aliás na ocasião nem raridade seria. O que aconteceu com o meu exemplar realmente não sei. Mistério. Dona Cecília entrou na minha casa em certa madrugada? Subornou amigo meu com os seus olhos verdes, de gata? Custeou os serviços de um lunfa? Não sei se a catástrofe aconteceu ainda em Belém ou já no Rio. No Rio mudei de apartamento diversas vezes, andei por Brasília, cidade mágica. Prefiro acreditar no natural, que se tenha extraviado numa das mudanças, e não no sobrenatural. A verdade é que sumiu, desintegrou-se, por artes da Bruxa do Cosme Velho, ela também, como o Velho Machado, moradora desse bairro carioca. Também pode ter sido praga do Dudu.

ERP – E a tua estréia, A Estranha Xícara, te arrependes dela?

HM – Não me arrependo. Por uma razão: porque depois de publicado jamais o reli. Jamais. Não me dei e não me dou a chance de ter vergonha.

ERP – Gostaria de retomar a primeira pergunta, aquela questão de escrever como um possesso?

HM – Há muitos anos declarei a um jornal: Escrevo como se me perseguissem cães hidrófobos. Não é bem assim. Escrevo como um hidrófobo, a muito pouco de cravar os dentes no primeiro cachorro que passar na frente. Não sou que tenho medo dos cachorros. São os cachorros que têm medo de mim. Eles se vacinam contra a minha raiva. E se avisam: “Lá vem ele!” Então, o resultado dessa possessão e dessa urgência ou premência é, vamos dizer, o primeiro orgasmo, a liberação do sêmen reprimido. O estouro da boiada. Depois é que é. A procura do que você chama de mot juste. Cortar a acrescentar. Cortar um metro, e acrescentar menos de uma polegada. Eliminar adjetivos é um ato de profunda determinação. O adjetivo é aliciante, promete vãmente gozos infinitos. Quem abusa do adjetivo não tem caráter. É expulsá-lo a pontapés do texto. O que resultará no arejamento da escrita, tornando-a tensa: como o couro do tamborim.

ERP – E o método de trabalho?

HM – Escrevo pela manhã. Todos os dias. Sábados e domingos inclusive. Depois do almoço, enquanto o paraense faz a sesta e o José Saramago escreve romance, segundo me revelou, vou à cidade, corro as livrarias, faço pagamentos, pego uns trocados no banco. Fins de tarde calmos, para releituras, até a hora do jantar. A falta que a rede me faz! A professora Bibi, minha avó, vivia repetindo que quem inventou a rede está no céu. Ora se! A noite foi feita para a música e para dormir. E o amor para qualquer hora do dia ou da noite, segundo o especialista Adriano Guimarães. Nunca aprendi a trabalhar à noite. Eu começo a trabalhar quando Benedito Nunes termina. À noite saio de casa cada vez raramente, acuado pela violência urbana.

ERP – Haroldo, gostaria que você evocasse seus primeiros ensaios na literatura, o perfil da geração de sua época, os movimentos literários de então, o trabalho nos suplementos de literatura. Quais os autores que você lia?

HM – Escrever sempre escrevi, desde a pré-adolescência. Dirigi um jornal pelos 13 anos, “Colegial”, onde escrevia matérias com as iniciais dos nomes das namoradas. Textos ruins. Poesia ruim. Tudo muito ingênuo e primário. Li muita porcaria. E possivelmente me salvei cruzando com o romancista e contista Machado de Assis e com os três volumes das Cartas do Padre Vieira, duas mil páginas que ensinam a escrever. As leituras foram sempre desordenadas, sem nexo e sem lastro. Como não me arrependo nunca do que fiz, imagino se terão sido de proveito as leituras erradas.

ERP – Que leituras erradas? Que autores?

HM – Eu tinha um faro especial para o puro lixo, o lixo mais sublime. Vamos lá: Benjamin, Walter? Quem me dera, professora Ernestina Pantoja! Benjamin Costallat, que existiu, posso garantir, escreveu os romances Katucha e A Virgem da Macumba. Théo-Filho foi outro autor do meu quintal. Théo-Filho publicou em 1927 o romance Praia de Ipanema. Em 1920 saiu a 2ª edição de 365 Dias de Boulevard. Era uma prosa não de todo incompatível com o modernismo. Acho. O Perfume de Querubina Dória é de 1924. Olha o título deste outro romance: Mme. Bifteck Paff. Paulo Setúbal, cujo filho é o presidente do Itaú, sua obra mais ambiciosa. Júlio Dantas, o da Ceia dos Cardeais. Oswaldo não de Andrade mas Orico, e isso diz tudo. Na Academia dos Novos, que funcionava aos domingos na Gentil Bittencourt, 25, atual 49, casa do jovem Benedito Nunes, o patrono da minha cadeira era Humberto de Campos. Eu era o próprio Martins errado de Tribobó quando fazia um calor danado. Me lembro que o crítico Álvaro Lins imaginou uma Antologia da Subliteratura, que não chegou a organizar. Eu teria a maior competência para escolher ótimos textos. Seria o creme do creme do que não é poesia, do que não é conto, do que não é teatro, de como não se deve escrever. Com finalidade pedagógica.

ERP – E a tua geração?

HM – Recordo meus companheiros de geração sem que me ardam as orelhas. Não convivi com cretinos. Os que não persistiram no ofício ao menos não revelaram sofreguidão pelo livro editado. E os que o fizeram precocemente foi para se anteciparem à morte que já lhes aparecia à vista. Publicaram porém poesia competente: O Homem e sua Hora (Mário Faustino) e Os Elementos do Verbo (Cauby Cruz). Éramos mais leitores que autores. Através dos suplementos literários da Folha e de A Província, os leitores travavam conhecimento com a produção cultural da melhor qualidade no país. Abriam-se espaços para a literatura e não para a subliteratura, para o sério e permanente, e não para o frívolo. Murilo Mendes escreveu no suplemento que dirigi uma série de mais de cinqüenta artigos: “Como Formar Uma Discoteca”. Também publiquei uma História da Evolução da Sociedade Paraense, de Levy Hall de Moura. Líamos no Pará, em cima da hora, quase simultaneamente, o que se lia no Rio e em São Paulo, os últimos poemas de Bandeira, de Drummond, de Cecília, textos críticos de Roger Bastide, de Otto Maria Carpeaux, de Sérgio Buarque de Holanda, de Paulo Rónai, de Álvaro Lins. Editamos os que começavam e começavam com o pé direito, Mário Faustino, Lêdo Ivo, José Paulo Paes, Dalton Trevisan, Ruy Guilherme Barata, Max Martins, Alphonsus de Guimarães Filho, Cyro dos Anjos, Murilo Rubião, Jurandyr Bezerra, Ruy Coutinho, (não consigo esquecer o seu conto “História do Navio Que o Dragão Come Sempre”), Paulo Plínio Abreu, por último mas não o último. Graças a Deus jamais publicamos um acróstico. A literatura, que primariamente nos preocupava, convivia coma música erudita, que avidamente escutávamos, e com as artes plásticas. A ópera chegaria bem mais tarde através de quem não havia nascido, librava nas estrelas e não na Travessa da Estrella, o meu amigo Gilberto Chaves, uma das maiores autoridades em música no país. Numa terra de fraca memória e de errados reconhecimentos, lembro o estimulante movimento do Norte Teatro-Escola e de sua atuação pedagógica no Pará. Desse grupo que pensava alto, ainda há pouco me falou João Cabral. Antes do Tuca e do Chico Buarque, o Norte Teatro-Escola produziu o Morte e Vida Severina, sob a competente direção de Maria Sylvia Nunes, cujo trabalho será valorizado quando se escrever a história do que foi realmente sério no Pará. Não sonhávamos com a glória como sonham os tolos, os acadêmicos de nascença. Só visávamos o trabalho intelectual cujo componente maior fosse, como foi, a probidade.


ERP – Em você existe o conflito entre a angústia da criação e o prazer estético da escrita? Ou isso é lorota de escritor de botequim?

HM – Sou angustiado. Vivo angustiado. Isto é, não sou alienado. A angústia faz parte da condição humana. O trabalho é a tábua em que me agarro para não afundar no Guajará. Me dá algum prazer, rápido prazer, porque a angústia baixa de novo, e é preciso começar tudo de novo. Estou sempre começando, recomeçando. Prazer estético da escrita? Que diabo disso é aquilo?

ERP – Além de Patroni, quais outras figuras do nosso passado merecem ser resgatadas?

HM – Os dois acaraenses citados são bons exemplos. Júlio Cezar daria um roteiro para o cinema. Os interessados devem dirigir-se ao meu amigo Fernando Medina do Amaral, que dorme, sonha, ronca, tosse e acorda pensando em Júlio Cezar, que literalmente morreu de fome, porque vendeu cadeiras, panelas, pratos, guardanapo e tudo o mais de casa, para patentear seu invento em todos os países do mundo. Foi um inventor roubado. Claro. Haverá mais acaraenses, necessariamente não nascidos no Acará. Acaraense é acaraense, não é da gente do Pará. Quem quiser ou puder entender, entenda. Uma coisa é ser acaraense, outra é ser paraense. Minha maior ambição é vir a ser acaraense, se puder me tornar um. Benedito Nunes não se deu conta mas é acaraense dos puros. Ignoro o que acontece por lá. Devem ser as águas, a floresta, os igarapés, alguma coisa que circula no ar. Não sei. Pelo sim, pelo não, aconselho as grávidas a irem parir no Acará.

ERP – Nos seus últimos livros, ou em toda a sua obra, você vem recuperando certas expressões regionais. Esse trabalho é fruto de pesquisas ou você se utiliza apenas da memória dos tempos idos, de convivências passadas?

HM – Mas essa é a minha língua! Pesquisar a minha língua? Nem será o caso de memória, de me lembrar. É falar como sempre falei. Não esqueci as vozes da infância. Não sei inglês, nem francês, nem alemão, nem sânscrito, grego e latim, como o Patroni. Só conheço duas línguas: o português de Portugal e o paraense. O que você poderá dizer é que o distanciamento geográfico excita uma ligação genética que me remete inteiro ao velho umbigo.

ERP – Você parece ser um autor que jamais tomaria o chá acadêmico. Qual sua opinião sobre as academias de letras?

HM – Não tenho vocação acadêmica. Isto é, tenho mais o que fazer. De minha parte, ignoro academias, pela sua inoperância no processo cultural. Academia, qualquer que seja o nível, federal ou municipal, é um clube de pessoas algumas até agradáveis de convívio, que se reúne para fazer profundas considerações sobre a perplexidade dos urubus.

ERP – Uma última pergunta: você ainda pretende voltar em definitivo para Belém?

HM – A Belém que eu deixei há trinta anos não é a mesma Belém de hoje, na qual sou estrangeiro, abrindo espaço nas ruas entre goianos e paulistas, que tomaram conta da cidade que amei e amo ainda. Quando desembarco em Val-de-Cans, não venho mais a Belém, que não reconheço e não me conhece mais. Venho para o convívio de raros amigos, os sobreviventes, que se contam pelos dedos das mãos e ainda sobram dedos. Para trás ficaram os que foram embora mais cedo. Venho de vez em quando não mais a Belém, mas à Travessa da Estrella, onde reencontro amigos amenos, a conversa distraída e sem pose, a música no espaço certo, a paz enfim que de vez em quando os guerreiros merecem.



2 comentários:

Adina Bezerra disse...

Ler esta entrevista de Elias Ribeiro com Haroldo Maranhão, responde-me ao “rebuliço”
Constante provocado na alma.. Quando ele diz que: “escrever não é o alegre piquenique que alguns imaginam”
Me faz acreditar que meus conflitos internos não são apenas devaneios de quem busca o sentido verdadeiro do “ser escritor”.
Agora compreendo o porquê de ainda não ter tido a paz em publicar meu livro, ainda não li o suficiente a quantidade de livros mencionados por Haroldo e como o mesmo aconselha: “Melhor que estrear moço é estrear maduro, e melhor que estrear maduro é não estrear”

Anônimo disse...

Esse blog é nota 1000.Tudo de bom.

Paula Freire