quarta-feira, 29 de outubro de 2008

O Que Vem Do Norte >> Marcos Quinan


Falar da Amazônia agora virou moda e acendeu novas cobiças, todo mundo fala da floresta, das águas, de preservação, falam dos seus habitantes sem saber direito quem são. Gente que não conhece falando como se conhecesse, gente que pensa que conhece falando como se fosse especialista. Tem os que vêm espiar e só espiam o que lhes interessa, os dissimulados que estão até inventando práticas culturais para comunidades e aproveitam também para estimular atos ilícitos em outras, migrantes e desmisturadas. Têm os que daqui saem para se intitular, atrás apenas de um naco de poder, qualquer que seja. E os que aqui chegam parecendo o que não são e procurando a mesma coisa.


Falam da Amazônia e não querem permitir que ela aprenda a conviver com suas desigualdades, com suas possibilidades, com a busca de sua vocação.


Ele também fala da Amazônia com sua obra, no tamanho que é e, por isso mesmo, muito maior do que quer ser. Paraense de Belém, torcedor do Fluminense e do Clube do Remo, está na história da vida cultural de sua terra desde muito cedo, seja no teatro misturado à dança e a música ou em dezenas de atividades culturais da juventude dessa época.


Anos de Rio de Janeiro, de muitos amigos, saraus, encontros importantes e amorosos com gente da música e do teatro, anos de muita experiência e trabalho, de participação em projetos e idéias. Algumas vieram dar nova vida à produção fonográfica brasileira como o primeiro disco independente feito no Brasil, outras lhe mostraram com clareza o que já acreditava e trazia dentro de si.


Na memória da maioria dos festivais de música realizados pelo Brasil, um dos grandes ganhadores de todos os tempos. Neles deixou sua marca de companheirismo e reconheceu amigos para a vida toda.


Um aglutinador de sonhos e relações, em qualquer lugar que vá, defendendo sua arte, com a intuição de quem sabe fazer, vai plantando suas canções e colhendo parceiros com o pensamento impecável de coletividade, de generosidade.


Nunca distante demais de sua terra, presente sempre em cada canto, em todas as convivências e por isso mesmo fortalecendo a cada dia a consciência do artista completo que é. Assim que participa de cada momento de nossa demorada e difícil evolução cultural entre companheiros de movimentos, em ações culturais, empreendimentos voltados para a comunidade artística, principalmente da música. Sempre no sentido de reunir, de fazer mais, de fazer melhor.


Cantador e compositor considerado um dos maiores da Amazônia, tanto no aspecto artístico como na contribuição, divulgação e preservação da cultura amazônica e brasileira. Interligando, com a música, o universo de suas raízes, juntando idéias e fazeres com novos e velhos companheiros, no caminho natural de ir expandindo fronteiras.


Durante sua carreira sempre cantou sua terra. Sonhando, fez sonhar e revelou parceiros, compositores, artistas, músicos e pessoas. Sua obra esta na memória do tempo, do Brasil, da região Amazônica e percorre por entre a floresta e os rios os caminhos da solidariedade que sua generosidade estabeleceu viajar.


Sua obra é recomendada para quem quer falar da Amazônia ou se vestir da palavra fraternidade.


Com orgulho de companheiro, parceiro, amigo, irmão e brasileiro.


À Benção Nilson Chaves.

***

2 comentários:

Adina Bezerra disse...

Quinan é um escultor tb nas palavras.

Anônimo disse...

Compositor do povo do Pará!

Ana Lúcia Dias